BE CRE em Imagens

segunda-feira, abril 19

O 25 de Abril na 1ª Pessoa

Imagem encontrada na Net,
25 de Abril de 1974

Uma das conquistas do 25 de Abril de 1974 foi a liberdade de expressão. Ou seja, tendo sempre em conta que a nossa liberdade termina onde começa a de outro indivíduo, com a (r)evolução, as pessoas ganharam o direito a poder exprimir-se sem medo de represálias.

O Livros de Graça lança hoje um desafio aos que nos visitam e leêm e que já eram nascidos em Abril de 1974. Enviem-nos um texto, prosa ou poesia, onde descrevam o que foi para vós o dia da (r)evolução. Se tiverem fotografias da vossa autoria ou da autoria de familiares que tenham saído à rua, também as podem enviar.

Só queremos que peguem na caneta, no lápis ou nas teclas do computador e nos façam cúmplices desse dia, dessas memórias.

Todos os textos serão publicados!

O 25 de Abril em Cinema

Cartaz de Divulgação,
Equipa da BE CRE

No âmbito da comemoração do 25 de Abril e tendo como ponto de partida a temática da Liberdade que está a ser trabalhada em algumas turmas da Escola, a BE CRE desenvolverá ao longo da semana que hoje se inicia uma série de actividades para as quais tem o prazer de convidar todos os que a elas pretenderem assistir.
O filme "Capitães de Abril" é uma das propostas que aqui deixamos para esta semana.
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segunda-feira, abril 5

25º Aniversário

Eu e a minha Máquina,
Livros Meus

"A Colecção Caminho de Abril resulta de uma iniciativa da Editorial Caminho com vista a assinalar o 25º Aniversário do 25 de Abril. Para a materializar, convidou a editora um conjunto de autores, quase todos habitualmente publicados pela Caminho, a escrever um texto de ficção que tivesse como tema, de forma directa ou indirecta, o 25 de Abril de 1974. Trata-se de uma colecção "fechada", isto é, encerra com os títulos publicados, todos apresentados ao público na mesma data, o mês de Abril de 1999."

domingo, abril 4

Fernando Lopes Graça, Um Compositor da Liberdade

Fernando Lopes-Graça foi um dos mais notáveis compositores e musicólogos contemporâneos. Nasceu a 17 de Dezembro de 1906, em Tomar. Estudou em Coimbra, no Conservatório Nacional.
Fernando Lopes-Graça dedicou toda uma vida à recolha de temas tradicionais. Juntamente com Michel Giacometti, fez uma recolha sobre os ritmos e cantares do povo português que é considerada como uma das mais importantes para os estudos etnográficos.
As Canções Heróicas/Canções Regionais Portuguesas foram compostas musicalmente por Fernando Lopes-Graça e cantadas pelo Coro da Academia de Amadores de Música com Olga Prats ao piano.
São canções politicamente empenhadas que contribuíram para exaltar a liberdade e dar força a todos aqueles que lutavam contra o antigo regime. A primeira versão foi publicada, em 1946, sob o título de «Marchas, Danças e Canções – próprias para grupos vocais ou instrumentos populares». Foi apreendida pela Censura o que impediu que os poemas fossem ouvidos e cantados em espectáculos ou sessões públicas, como até então. Contudo, muitos resistentes continuaram a cantar as canções nos encontros clandestinos ou nos países onde se encontravam exilados. Em 1960, surge uma colecção, mais alargada, com o nome de «Canções Heróicas, Dramáticas, Bucólicas e Outras». A nova edição destinava-se a celebrar o 50º aniversário da implantação da República e foi divulgada com grandes precauções, num meio muito restrito de pessoas. Finalmente, a versão final ficou conhecida por «Canções Heróicas».

Livre

Solo
Não há machado que corte
a raiz ao pensamento

Coro

não há morte para o vento
não há morte.
Solo

Se ao morrer o coração
morresse a luz que lhe é querida,

Coro

sem razão seria a vida,
sem razão.

Solo

Nada apaga a luz que vive
num amor, num pensamento,

Coro

porque é livre como o vento,
porque é livre.
Carlos de Oliveira, As Canções Heróicas

sábado, abril 3

A Poesia Anterior à Revolução

As mãos
Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
Manuel Alegre, O Canto e as Armas, 1967

Este poema de Manuel Alegre simboliza a esperança pela Liberdade e foi cantado por Adriano Correia de Oliveira. O cantor era um amigo do poeta e companheiro das lutas estudantis em Coimbra.
Anos antes, o convívio entre os dois possibilitou a criação de um poema-cantiga que ficou na história da resistência à Ditadura. *Conta-se que numa noite, em plena Praça da República em Coimbra, Manuel Alegre exprimia a sua revolta:
«Mesmo na noite mais triste/ Em tempo de servidão/ Há sempre alguém que resiste/ Há sempre alguém que diz não».
E Adriano Correia de Oliveira disse «mesmo que não fiquem mais versos, esses versos vão durar para sempre». Ficaram. António Portugal compôs a música. «E depois o poema surgiu naturalmente». Tinha nascido a Trova do vento que passa.
Três dias depois vieram para Lisboa, para uma festa de recepção aos alunos na Faculdade de Medicina. Manuel Alegre fez um discurso emocionado, depois Adriano Correia de Oliveira cantou e quando acabou de cantar:
«foi um delírio, teve de repetir três ou quatro vezes, depois cantou o Zeca, depois cantaram os dois. Saímos todos para a rua a cantar. A Trova do vento que passa passou a ser um hino».
Eduardo M. Raposo,
Cantores de Abril – Entrevistas a cantores e
outros protagonistas do Canto de Intervenção,
Lisboa, Edições Colibri, 2000.

sexta-feira, abril 2

O Cartaz e o 25 de Abril

"Com a Revolução, não foi unicamente a Poesia que desceu à rua, como assegurava Vieira da Silva, num dos cartazes mais emblemáticos do período que se seguiu ao 25 de Abril de 1974.

Com o povo a deixar de ter medo de quem o escutava, às cidades, aldeias e campos de Portugal chegaram as mais variadas formas de arte, em muitos casos espontâneas, que procuravam expressar uma nova forma de viver. A maneira como se imaginava que, a partir do sucesso do Movimento das Forças Armadas, o futuro podia ser construído.

As artes plásticas foram das mais usadas. "A canção é uma arma" assegurava a letra de uma música de então.


Mas havia outras. Cartazes, murais ou mesmo graffitis, tornaram-se instrumentos a que partidos e todo o tipo de movimentos sociais e políticos deitaram a mão, inúmeras vezes, para transmitir as suas mensagens.

[...], surgiram soluções artísticas notáveis, brotando das mãos de figuras de proa e bem conhecidas, como Vieira da Silva, João Abel Manta e Augusto Cid, entre vários [...].

[...]
Fruto do seu tempo, o cartaz dos primórdios da Democracia, imitando modelos importados, copiando o que de bom e de menos bom havia sido produzido em várias catedrais da propaganda ideológica, mas, em muitos casos, fazendo também transparecer originalidade e cunhos bem peculiares da realidade portuguesa, foi uma genuína arte de rua, dotada de uma dimensão plástica, sociológica e política próprias.

O 25 de Abril também aqui deixou um legado."
Fernando Lima,
Director do DN Diário de Notícias em 2004,
in 25DEABRIL30ANOS100CARTAZES

quinta-feira, abril 1

Abril, Mês da Liberdade

Vieira da Silva,
Paris,
S/ Data

Abril é o mês em que se comemora a (r)evolução que restituíu a Portugal o direito à Liberdade.
Para os que são crianças, adolescentes e jovens, e até mesmo para os Pais de alguns destes, o 25 de Abril significa pouco mais do que um feriado. No entanto, e retirando toda a carga ideológica à data, o 25 de Abril de 1974 foi um momento de viragem completa na história do nosso País. Portugal deixou de ser um país fechado pela ditadura e passou a estar aberto ao Mundo, às inovações, a outras culturas e sociedades.
Viveram-se anos de euforia mas também de muita agitação social e política.
As diferentes expressões artísticas experimentaram momentos de grande inspiração.
Durante o mês de Abril, neste espaço, surgirão poemas, letras de canções, cartazes, músicas, que fizeram história e que fazem parte do imaginário dos que, como eu, viveram estes dias especiais que se seguiram ao 25 de Abril de 1974.

Para os que quiserem saber mais sobre este dia: