BE CRE em Imagens

quarta-feira, abril 21

Rodrigo Leão # Rosa

Hoje o céu está mais azul,
Eu sinto
Fecho os olhos, mesmo assim

Eu sinto
O meu corpo estremecer
Não consigo adormecer

Ah, nem o tempo vai chegar
P'ra dizer o quanto eu sinto
Você longe de mim

É uma espécie de dor

Hoje o céu está mais azul
Eu sinto
Olho à volta, mesmo assim

Eu sinto
Que este amor vai acabar
E a saudade vai voltar

Ah, nem o tempo vai chegar
P'ra dizer o quanto eu sinto
Você longe de mim

É uma espécie de dor
Já não sei o que esperar
Dessa vida fugidia
Não sei como explicar
 
Mas é mesmo assim o amor

O Tesouro


Este é um livro sobre o 25 de Abril de 1974, dedicado aos mais pequenos, que conta a história de um povo triste que em tempos teve um tesouro, a Liberdade.

Em formato digital, poderá ser lido e visto acedendo ao link (clicar na legenda da imagem).

terça-feira, abril 20

Se Não Estudas Estás Tramado

Imagem e Texto trazidos Daqui

«Só com muito trabalho, muita dedicação e muito esforço será possível enfrentar e ultrapassar as questões tão graves que a educação encara e vai continuar a encarar, uma vez que a educação não é um projecto delimitado no tempo, mas antes um processo intemporal em que todos participamos como protagonistas, seja como pais, como estudantes, como professores ou como educadores. [...] Não posso deixar de expressar o meu sentimento de esperança em relação ao futuro nas áreas da educação, da formação e da produção do conhecimento. Faço-o não porque me sinta compelido a “terminar em beleza”, mas porque vejo à minha volta uma nova geração que é muito melhor do que aquela a que eu pertenço. Jovens com excelente formação, cultos, determinados e profissionais. Dirão os pessimistas que são poucos, uma vez que a maioria é ignorante, não gosta de estudar e só se interessa por futebol, telenovelas e subsídios do Estado. Em minha opinião, quero crer que o País vai dispor de um número crescente de quadros e de mão-de-obra qualificada capaz de evitar as visões catastrofistas que alguns profetas da desgraça nos vêm anunciando. Só espero que o futuro me dê razão.»


Eduardo Marçal Grilo

edição: tinta-da-china
autor: Eduardo Marçal Grilo
tema: Educação/Política
prefácio: António Câmara
1.ª edição: Abril de 2010
n.º de páginas: 232
formato: 14x21 cm
isbn: 9789896710330
pvp: 15.90€

O 25 de Abril na 1ª Pessoa # [3]


"[...]Não tenho recordações do Antigo Regime pois nunca a minha família ou alguém próximo sofreu qualquer tipo de pressão ou inconveniente político. A vida corria-nos normalmente.
Andava no colégio O Pinheirinho e, nesse dia, tudo o que queríamos era que o canhão do Monte de Sta. Luzia disparasse, pois gostávamos de o ver nos exercícios. Coisas de miúdos...
Lembro-me de que o meu pai e o meu avô foram sitiados nos respectivos locais de trabalho e tiveram medo. Isso surpreendeu-me e assustou-me, pois em criança não nos apercebemos das fragilidades dos adultos. Lembro-me de ambos terem receio de perder os empregos. O meu avô chegou a ser saneado, mas foi mais tarde reintegrado. Lembro-me de, após a revolução, se viver com alguma instabilidade e de a minha mãe guardar numa gaveta da cozinha um papel com o número de telefone do COPCOM para "se fosse preciso".
Lembro-me, depois, de coisas triviais, como as canções revolucionárias e os constantes debates políticos na televisão, as ruas muito sujas e as paredes riscadas e cheias de cartazes colados. Foi o que ficou na memória de uma criança."
Dolores Bonaparte,
Encarregada de Educação

segunda-feira, abril 19

Sons de Abril

Não fiques p’ra trás, ó companheiro!
É de aço esta fúria que nos leva!
P’ra não te perderes no nevoeiro,
segue os nossos corações na treva!
Vozes ao alto! Vozes ao alto!
Unidos como os dedos da mão!
Havemos de chegar ao fim da estrada,
ao Sol desta canção!
Aqueles que se percam no caminho,
que importa chegarão ao nosso lado!
Porque nenhum de nós anda sozinho,
e até mortos vão ao nosso lado!
Vozes ao alto! Vozes ao alto!
Unidos como os dedos da mão!
Havemos de chegar ao fim da estrada,
ao Sol desta canção!

letra de José Gomes Ferreira,
música de Fernando Lopes Graça


O 25 de Abril na 1ª Pessoa # [2]

"eras tu a primavera que eu esperava"
Sophia de M.B.Andersen
 
"eu tinha 4 anos quando aconteceu o 25 de Abril. a verdade é que não me lembro de nenhum pormenor. são poucas as memórias que se têm nessa idade. o que me lembro é o depois. possivelmente um ano mais tarde, em que já começamos a ter consciência das memórias. lembro-me da música. essencialmente da música. que o meu pai punha bem alto, o Zeca, o Adriano, o Fausto, o Sérgio, o José Mário Branco. e essa era a diferença . Agora podia ouvir-se alto, abertamente, de forma nua, com um sorriso, o que antes ficava escondido numa parte negra da existência. penso que essa atitude de liberdade, de poder dizer alto o que nos "castra" me determinou a escolha de ter sido professora de Filosofia. A coragem. o que quero que os meus alunos tenham. e uma mão dada entre todos os homens, como nas canções da revolução."
Ana Gonçalves,
Docente da ESFLG

O 25 de Abril na 1ª Pessoa # [1]


"No dia 25 de Abril de 1974 eu e a minha irmã mais nova não fomos às aulas. O pai, que saíra cedo, regressou para avisar a mãe que era melhor ficarmos por casa. Perplexas com esta orientação do pai, aproximámo-nos, ainda em pijama, para compreender. O pai estava contente porque finalmente o governo ia mudar. Golpe de Estado. Tropas na rua. Não compreendemos a animação do pai quando vimos a expressão de medo da mãe. Sabe-se lá o que vem aí, homem, se calhar ainda são piores!
 
Colámo-nos à rádio e à tv, a irmã mais velha, que já frequentava a universidade, chegou com as novidades frescas. E como era a irmã mais velha, fonte de sabedoria, nós confiámos. De repente fazia-se luz no breu em que vivêramos. A guerra colonial era injusta, aqueles a quem nos ensinaram a chamar terroristas eram heróis a lutar pela independência da terra em que nasceram, os presos políticos não eram gente malévola de quem nos devíamos afastar, eram pessoas que lutavam pela liberdade de todos hipotecando a sua própria. As mulheres afinal podiam emancipar-se dos homens e tomar as suas próprias decisões, ao contrário do que sempre me fora ensinado e me deixava tão infeliz.

A sensação de libertação pode experimentar-se mesmo sem ter tido consciência da opressão. Sensação semelhante a respirar na serra de Sintra depois de se ter estado a respirar o fumo tóxico de um tubo de escape durante anos. E, como sabemos, podemos viver assim sem ter consciência de que poderia ser diferente.

48 anos de censura e opressão foram uma eternidade!
 
Ao 25 de Abril devo quase tudo o que de empolgante vivi e vivo.
 
A liberdade de expressão e pensamento são indispensáveis para o nosso crescimento enquanto Pessoas. Eu tinha 15 anos quando aprendi. Lição que gosto de recordar todos os dias da minha vida."

São Morais,
Docente na ESFLG,
Equipa da BE CRE