BE CRE em Imagens

sexta-feira, abril 30

Rita Vilela na Feira do Livro

Lembram-se da escritora Rita Vilela? Esteve na nossa escola no passado ano lectivo e é autora dos livros infanto-juvenis das colecções Oníris e Génios do Mundo.
Pois bem, a Rita Vilela  está já publicar o seu 10º livro e para comemorar os "nascimentos" literários mais recentes estará na Feira do Livro de Lisboa em sessões de autógrafos:

- no próximo sábado, dia 1 de Maio,
das 15.30h às 16.30h, no stand da Paulus Editora, com os livros infantis A boca que gritava demais e A coragem do leão
das 17.30h às 18.30h, na zona da Leya (com a Oficina do Livro), a lançar Oníris – A Dádiva dos Deuses.

Se vos apetecer fazer um programa diferente no fim de semana que se aproxima, vão até lá e façam-lhe uma visita!
Se quiserem conhecer mais sobre esta autora, espreitem o blog carregando aqui.

A Educação pela Arte

Casa das Histórias,
Paula Rego,
Cascais, Abril 2010

Esta manhã, numa visita organizada pela Profª Ana Gonçalves, 60 alunos de 10º e 12º ano tiveram a oportunidade de conhecer um pouco melhor a obra da artista Paula Rego.
A visita foi feita em grupos separados, tendo o 12º ano sido acompanhado pela equipa de filmagens da realizadora Leonor Noivo, cujo trabalho já aqui divulgámos.
Na qualidade de Representante dos Encarregados de Educação da turma de 10º ano, acompanhei a turma durante a visita. Sendo uma turma da área das Ciências, foram um grupo interessado e participativo, chegando a ser classificado pela guia da visita que os acompanhou como "muito observadores".
O gosto pelo tipo de pintura não foi consensual. O exagero nas proporções utilizadas na representação do corpo humano e o facto de as mulheres serem sempre feias foram das características mais apontadas por estes alunos.
A qualidade das explicações dadas foi bastante elevada. Utilizando uma linguagem acessível e uma forma de falar bastante agradável, as duas guias que nos fizeram viajar pelo tempo da obra da Paula Rego exposta nas salas do museu, fizeram um trabalho digno de aplauso.
Independentemente de se apreciar mais ou menos o tipo de pintura, este é um local que não se deve deixar de visitar e, se possível, com visita guiada. Paula Rego é uma apaixonada por histórias infantis clássicas acabando por as transpor para as suas obras. Em todas elas existe uma história subjacente e, na maior parte das vezes, não perceptível aos nossos olhos e compreensão de leigos na matéria.
É aqui mesmo ao lado. O caminho da estação do comboio até à Casa das Histórias é um agradável passeio pela vila de Cascais. Os dias estão bons. O jardim envolvente é maravilhoso.
Fica o registo da visita e a sugestão para o fim de semana!

quinta-feira, abril 29

Feira do Livro

A 80ª edição da Feira do Livro de Lisboa teve início hoje no maravilhoso espaço do Parque Eduardo VII em Lisboa e estará aberta até ao próximo dia 16 de Maio.
Com um horário de segunda a sexta das 12:30 até às 21:30, sábados, domingos e feriados das 11:00 às 23:30, são diversas as novidades desta edição, que passam por um programa cultural mais rico e temperado pela música, áreas de actividades e lazer mais convidativas ao convívio entre livros, assim como mais e melhores espaços de restauração.
Os pequenos leitores poderão também contar com um espaço e actividades à sua medida. Numa visita à Feira em família ou em grupos escolares, serão muitas as iniciativas lúdicas ou pedagógicas à sua espera.
Para além de todas as novidades que o espaço tem este ano para oferecer, a 80ª Feira do Livro de Lisboa tem também uma Happy Hour! De segunda a quinta-feira, das 22h30 às 23h30, os visitantes terão a oportunidade de comprar livros, fora dos 18 meses do preço fixo, com 50% de desconto. Os visitantes só saberão quem está em “Hora H” quando chega a hora, por isso há que estar atento!
As portas estão abertas!
Lisboa é uma cidade linda nesta altura do ano e os livros são companheiros para a vida inteira!

quarta-feira, abril 28

BookCrossing

O que é isto do BookCrossing?
A ideia deste movimento é, essencialmente, que o Mundo seja uma enorme biblioteca. Ao invés do que fazemos, os livros não deverão ser pertença de alguém em particular, mas sim de todos no geral.
Para os adeptos deste movimento, o amor que têm pelos livros é demonstrado da forma contrária à que habitualmente utilizamos quando falamos de coisas ou de pessoas de quem gostamos muito - disponibilizando-os para que outros possam vir a sentir o mesmo amor.
Confuso? Um pouco...mas se ficaste curioso, clica aqui e pesquisa mais informação!

TRÊS MARIAS, Um Filme de Leonor Noivo


Partindo do sobejamente conhecido processo d' "As Três Marias", do início dos anos 70, Leonor Noivo lança-se na aventura do conhecimento de como se processam os relacionamentos e afectos entre diferentes pessoas, de diferentes idades e situações socio-económicas.
Este trabalho que dará origem a um documentário apenas exibido em Festivais de Cinema, na categoria de documentário, e no canal 2 da RTP, será filmado em diferentes situações e contextos, procurando ouvir diferentes interlocutores e atravessando posturas e percursos de vida.
A ESFLG foi um dos locais escolhidos pela produção do filme para realizar filmagens dadas as suas características de escola multicultural.
A equipa de filmagens já iniciou o seu trabalho, de forma muito positiva, numa sala de aula de 12º ano, prosseguindo esta semana com o acompanhamento de uma visita de estudo à Casa das Histórias Paula Rêgo.
O Livros de Graça vai estar atento a este trabalho e continuará a dar notícias!

terça-feira, abril 27

O 25 de Abril na 1ª Pessoa # [10]


"Como vivi o 25 de Abril de 74
 
Tinha 15 anos e vivia numa pequena cidade do Alentejo, andava no correspondente ao actual nono ano, a minha família não era politizada e não fazia a menor noção de que vivíamos numa Ditadura. As raras vezes que coloquei alguma questão mais impertinente fui logo aconselhada a silenciar ideias tão disparatadas. A televisão apareceu em minha casa tardiamente, o que hoje agradeço, pois obrigou-me a ler todos os livros a que deitava a mão, mas nessa manhã de Abril estava particularmente estranha. Como só tinha aulas no turno da tarde, constatei com pena que não podia ver mais um episódio da séria «Olho Vivo», a insistente música do MFA não parava. O meu pai, funcionário público foi mandado para casa, pois «algo se passava em Lisboa» - falava-se em revolução e esta palavra assustou as pessoas. Havia pouca gente nas ruas, segredava-se, e os rostos revelavam alguma apreensão. A minha mãe não me deixou ir à escola, poderia haver desacatos. No dia seguinte a professora de Português explicou-nos o que se passou e disse-nos que pela primeira vez podia falar sem medo, soubemos mais tarde que tinha um passado anti - fascista. De repente senti um enorme entusiasmo, apesar da pouca informação percebi que algo de grandioso se passara no nosso país. A palavra Liberdade começou a ecoar por todos os lados. Já participei na 1ª Manifestação do Dia do Trabalhador, nas primeiras filas. Houve fotografias expostas na montra do fotógrafo, o meu pai ainda me advertiu, dizendo que se o regime mudasse poderia ser perigoso, mas hoje acho que até ele já tinha percebido que há caminhos sem volta e que aquele passo era de tal modo grandioso que jamais poderia ser anulado. Tornei-me uma entusiasta do 25 de Abril, da liberdade de pensamento e de expressão, enfim da Democracia. Penso que esta experiência ditou o meu futuro e me tornou uma amante fanática da Filosofia – um dos palcos do pensamento livre. Dedico esta reflexão aos meus filhos e aos meus alunos – à geração que tem de manter vivo o sonho iniciado pelos vossos pais e avós. A liberdade não é uma dádiva, é uma conquista permanente, a vocês compete nunca permitir que ela se apague."
Manuela Duarte, 
Docente de Filosofia da ESFLG

segunda-feira, abril 26

O Último Minuto na Vida de S., Miguel Real


Tomei conhecimento deste livro no blogue do João Tordo.  É um livro fantástico, escrito na primeira pessoa pela mão de Miguel Real como se fosse ele a voz de Snu Abecassis, onde ao longo de 125 brevíssimas páginas é traçado um retrato da sociedade portuguesa antes e pós 25 de Abril. A Guerra Colonial e a posição da Mulher na sociedade portuguesa são duas das mais fortes tónicas pré 25 de Abril. No pós 25 de Abril, é interessante observar como as preocupações demonstradas pelo homem que chefiava o governo na altura são tão idênticas às dos dias de hoje, 36 anos após a revolução:

"[...]cinco escudos de aumento num produto significa dois milhões de velhos pobres proibidos de o comprarem, uma taxa de pagamento nos hospitais públicos significa a impossibilidade de centenas de milhares de mulheres reformadas de acederem às consultas, o encerramento de uma maternidade sacrifica milhares de mulheres trabalhadoras, o fecho de uma escola o apagamento do único foco cultural de uma aldeia, [...], o Estado tinha o dever de amparar viúvas, órfãos e reformados pobres [...]"
 
Se puderem, leiam!

domingo, abril 25

Eu e os Livros

Da Net

"Os livros encontram-me, raramente os procuro. E muitas vezes é amor à primeira vista. Se não é à primeira vista dá mais trabalho mas não deixa quase sempre de dar prazer.
Quando nos cruzamos com um livro, como a tudo na vida, precisamos de saber dizer sim e saber dizer não. Quando é sim e à primeira vista é uma festa de emoções.
Com os livros, tenho vivido sensações que desconhecia, aprendido com a experiência de vida de tanta gente que me faz perder em reflexões...ler pode mesmo ser uma grande aventura.
O pior é quando o livro acaba. Fica um silêncio perturbador. Tento despedir-me retendo-o...."

São Morais,
Docente da ESFLG

sábado, abril 24

E Depois do Adeus


Paulo de Carvalho

Voz incontornável da música ligeira portuguesa, Paulo de Carvalho ficou para sempre ligado ao 25 de Abril. E Depois do Adeus, a música com que venceu o Festival da Canção em 1974, foi uma das senhas do 25 de Abril. Na noite de 24, passa no Rádio Clube Português pelas 22:55, dando-se assim início às operações militares.

Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci

Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.


Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim


Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder.


Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei


Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci.


E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós


Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor
Que aprendi.


De novo vieste em flor
Te desfolhei...
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós.
 
Letra de José Nisa, 1974

O 25 de Abril na 1ª Pessoa # [9]


«Já muito foi dito e explicado acerca dos aspectos políticos e históricos que desencadearam a revolução que derrubou o regime.
Deixo-lhes o alerta para pequenos factos que podem ajudar a compreender melhor a inesquecível festa de rua, espontânea e popular, que vivemos naquele dia e, sobretudo, naquela nova semana que terminou no primeiro 1º de Maio vivido em liberdade.

No dia 23 de Abril de 1974, tinha eu a idade que a maior parte de vocês têm hoje... e acontecia que...


...para usar um rádio portátil, um chamado transistor, era obrigatório requerer uma licença;
...de igual modo para um simples isqueiro;
...para uma mulher casada sair do país, tinha que ser autorizada pelo marido;
...na maior parte das vezes, o nome da mulher era averbado no próprio passaporte do marido;
...fazer crítica ao governo era delito de opinião e conduzia ao risco de investigação da policia política;

...um grupo de três ou mais amigos à conversa na via pública corria vulgarmente o risco de ser mandado dispersar;

...para comprar alguns livros, por serem proibidos, era necessário conhecer o livreiro certo, que os tinha escondidos para os amigos;

...para comprar alguns discos, por serem proibidos, era necessário ir ao estrangeiro ou encomendá-los a quem os trouxesse;
...
...
Parecerá, hoje, estranho (até a mim!) mas assim era... a falta de liberdade!


E... ... como vamos hoje desta doença?»
PG,
Docente

sexta-feira, abril 23

O 25 de Abril na 1ª Pessoa # [8]

Eu, nos Anos 70

«São muito escassas as memórias que tenho da minha infância, mas há dois ou três flashes que surgem quando penso para trás. O dia 25 de Abril de 1974 é, sem dúvida, um deles.
Em Abril de 74 eu tinha 8 anos. Nada sabia sobre a ditadura, a guerra colonial, as perseguições políticas, a PIDE, a inexistência de liberdade de expressão.
Naquele dia estava em casa dos meus Avós Maternos, como aliás acontecia frequentemente. Lembro-me que estava um dia de sol radioso, o meu Avô estava em frente ao espelho da casa de banho a fazer a barba, preparando-se para ir trabalhar. Tocou o telefone. Eram os meus Pais. A avisar que não devíamos sair para a Escola. Tinha havido uma revolução e pedia-se às pessoas que se mantivessem nas suas casas.
A casa dos meus Avós era um 7º andar na Almirante Reis, em Lisboa. Uma casa com um terraço fenomenal, com uma vista imensa desde o Areeiro até quase ao Martim Moniz.(Deste terraço, do cimo da chaminé, foi filmada a primeira manifestação do 1º de Maio em Lisboa, por um jornalista francês que bateu à porta dos meus Avós a pedir autorização para o fazer).
Assim que desligou o telefone, a minha Avó rompeu em pranto. Cheia de medo "daquele maldito terraço, alvo fácil para uma bomba". O meu Avô correu a ligar o pequeno transistor onde costumava ouvir as notícias pela manhã. Lembro-me da alegria dele. Lembro-me de ouvir a Grândola Vila Morena não sei quantas vezes durante esse dia.
Acredito que para os que, como eu, eram muito pequenos na altura e não tinham noção das alterações provocadas pela revolução, as recordações que ficam são as das emoções vividas por aqueles que nos rodeavam. Para mim, esta data é sempre de festa (apesar de 23 anos mais tarde a minha Avó ter morrido naquela mesma casa, naquela mesma data, de manhã), porque foram de festa e de alegria as reacções que vi nos que me rodeavam.
Cantei todas as canções da época e são muitas as que ainda sei de cor. Sorrio ao recordar alguns cartazes e murais que tantas vezes vi colados nas ruas de LIsboa. Não consigo deixar de me arrepiar quando oiço o "E Depois do Adeus". Não consigo deixar de acreditar que por muita coisa que tenha sido mal feita, esta viragem nos ofereceu direitos essenciais que, actualmente, para os nossos Filhos, não passam de evidências, não poderiam sequer imaginá-los ausentes da sociedade.
A alegria do meu Avô no dia 25/04/74 está sempre presente em mim, tendo acabado por influir na minha forma de estar e de pensar o Mundo e a sociedade.»
VeraBaetaLima,
Encarregada de Educação

O 25 de Abril na 1ª Pessoa # [7]


Alferes Alfredo Sá-Pessoa

«A Ditadura Salazarista manteve durante treze anos, de 1961 a 1974, o "império colonial" de além mar (nomeadamente os territórios africanos da Guiné, Angola e Moçambique), à custa de uma guerra chamada defensiva desses territórios.
Para isso, mobilizou nesse período a "grande maioria da juventude portuguesa", que foi envolvida numa guerra destinada a ser perdida, pois mais tarde ou mais cedo, esses territórios iriam constituir nações independentes.
Como ex-combatente na Guiné, só posso dizer que nesse período aprendi muito, nomeadamente no convívio com a população de etnia fula no leste daquela colónia, onde deixei amigos de coração porque felizmente estive integrado em forças operacionais que lutaram mais pela paz do que pela guerra.
Durante esse período, na zona do actual Gabu e Dara, Madina Mandiga, a nossa companhia foi um exemplo de tropa que nunca espalhava o terror, antes pelo contrário, ajudavamos as populações com medicamentos e transporte para a cidade.
Em resumo, foram 27 meses sofridos, mas intensamente vividos no aspecto humano quase já conscientes de que a guerra estava perdida e que a libertação daquela gente estava para breve! Felizmente que houve o 25 de Abril, pois apesar de eventuais erros de revolução, poupou-nos dessa guerra injusta.»
Alfredo Sá-Pessoa,
Encarregado de Educação

As Mulheres na 1ª República e no Estado Novo

Fotografias da
Sessão de Hoje

Integrada no projecto BIG-UMAR decorreu esta manhã no auditório da ESFLG uma sessão dedicada ao tema "As Mulheres na 1ª República e no Estado Novo".
Esta sessão, organizada pela equipa da BE CRE, teve como oradores convidados a Investigadora Irene Pimentel e o Historiador João Esteves que falaram um pouco sobre a temática da sessão, tendo, seguidamente, entregue a palavra aos Alunos.
Os Alunos presentes na sessão (uma turma de 9º ano e três turmas de 12º ano) tiveram a oportunidade de colocar questões aos dois convidados e de as ouvir respondidas.
Foi uma sessão muito animada e produtiva em termos de transmissão de conhecimentos sobre a matéria.
A equipa da BE CRE aproveita este espaço para agradecer publicamente aos dois convidados e à Salomé Coelho do projecto BIG-UMAR.

T E R R A


Quem se lembrou, ontem, que se comemorou o Dia da Terra?

quinta-feira, abril 22

Dia Mundial do Livro, Desafio


Comemora-se amanhã, dia 23 de Abril, o Dia Mundial do Livro.
A equipa que faz o Livros de Graça gostava de contar com as palavras dos que nos leêm e saber o que significa, para cada um de vós, o Livro.
É apenas mais um objecto arrumado num qualquer móvel ou estante lá de casa?
É O objecto de culto do qual cuidam com a atenção e o carinho que se dedicam a algo/alguém de que/quem se gosta especialmente?
Quais foram as leituras que despertaram em cada um de Vós o "bichinho" da leitura ou, pelo contrário, as que adormeceram esse bichinho?
Existe na história da Vossa vida O Livro? Qual é ele?
Ou existe mais do que Um?
Partilhem conosco os Vossos gostos literários. Apresentem-nos os Vossos autores de culto. Motivem-nos(se) a Ler!

A caixa de comentários está aberta às vossas palavras que serão transformadas em posts e publicadas no Livros de Graça!

O 25 de Abril na 1ª Pessoa # [6]

Faculdade de Direito de Lisboa

«O 25 de Abril "apanhou-me" no primeiro ano do Curso de Direito da Faculdade de Direito de Lisboa onde, em 1973, aos 17 anos de idade, havia ingressado.
Apesar da minha grande incultura política, na altura senti que algo de bom iria passar a acontecer naquela Faculdade onde, até essa data, se vivia um verdadeiro clima de terror...
"Gorilas", (era mesmo assim que se chamavam, o que condizia aliás, com o seu aspecto físico), à porta para verificar quem tinha cartão para entrar, guerras diárias com as estudantes chamadas "subversivas" que ousavam falar na sala de aula (às vezes anfiteatros com centenas de alunos) contra a guerra colonial e que eram logo atiradas, pelos mesmos "Gorilas", pela escada abaixo, o que lhes valia cabeças partidas e ensaguentadas, outras alunas "subversivas" a entregarem panfletos revolucionários aos estudantes mais pacatos e nós a tentarmos fugir para não sermos apanhadas, conversas de corredor entre os estudantes sempre vigiadas por algum funcionário mais "zeloso" (que, mais tarde, viemos a saber ser informador da PIDE)...enfim...e, por cima disso tudo, os professores a falarem literalmente de alto das suas cátedras, rodeados pelos seus assistentes, em anfiteatros a abarrotar de gente, onde o diálogo e o à vontade eram proíbidos e onde a possibilidade de se conseguir um dozesinho constituía, na altura, uma simples miragem.
Com este panorama e neste clima, os direitos que sentimos terem sido imediatamente adquiridos no 25 de Abril, foram os da liberdade de reunião e de expressão, os quais, provavelmente, e à luz dos nossos olhos actuais, terão sido usados e abusados nos dias que se seguiram, tendo sido implantadas reformas e reformazinhas que pouco tiveram a ver com o ensino do Direito propriamente dito, mas isso seria matéria para um outro testemunho!»
Ângela Nunes,
Encarregada de Educação

O 25 de Abril na 1ª Pessoa # [5]


"Onde estavas no 25 de Abril?

Recordo que vivi esse dia com uma profusão de sentimentos de alegria, felicidade e, por estranho que possa parecer a quem estiver a ler estas linhas, uma imensa tristeza de de me encontrar longe de Portugal!! Com efeito, o meu marido e eu encontrávamo-nos refugiados na Holanda, país que, à semelhança de muitos jovens, haviamos escolhido como terra de exilio, recusando- nos assim, a colaborar numa guerra contra povos que lutavam pela sua liberdade.
A partir daquele dia, eu sabia que não voltariam a repetir-se situações de repressão e de ausência de liberdade, tais como festejar o dia do estudante e do professor, comprar um jornal sem ser censurado, ler um livro cujo escritor havia sido perseguido, poder assistir a um espectáculo ou ver um filme provenientes de qualquer ponto do mundo, votar livremente, manifestarmo-nos nas ruas enfim ......podermos viver sem temer perseguições que , por vezes , nos impediam de vislumbrar um futuro como todos os jovens têm direito.
A Revolução do 25 de Abril continua a ser evocada como um exemplo único de revolução não violenta e que, à semelhança de outras revoluções, permitiu uma mudança de estruturas e de mentalidades que será eternamente importante recordar aos jovens de hoje.

Se esse dia não tivesse existido, este texto seria impossível!"

Maria Eugénia Diordiev,
Docente da ESFLG

CONVITE

Imagem Daqui

Dia 7 de Maio, sexta – feira, vamos ao TEATRO!!!
 
“O Que Faz Falta” - Um Hino à Liberdade,
no Teatro Villaret,
com encenação de Claudio Hochman

«“O Que Faz Falta” conta a história da revolta do povo de Fuenteovejuna contra um comendador déspota e violador. Esta é a essência da história que Lope de Vega escreveu, uma história escrita no início do séc.XVII. Integramos as músicas de Chico Buarque de forma a sublinhar, agora numa leitura dos anos 60 e 70, um testemunho mais próximo de nós, da luta contra a prepotência e a ditadura. Tal como em 1600 o povo de Fuenteovejuna se revoltou contra o comendador, tal como nos anos 60 e 70 Chico Buarque lutou contra a ditadura, queremos que hoje cada um de nós tenha consciência do que faz falta para inventar um outro tempo.

“O Que Faz Falta” é o primeiro espectáculo de um novo projecto que está a ser desenvolvido no Teatro Villaret, é um musical com canções de Chico Buarque, a partir da Fuenteovejuna de Lope de Vega e conta com um elenco de 11 actores e músicos portugueses e brasileiros. Este espectáculo propõe provocar uma reflexão em português sobre as múltiplas formas de se sair da crise e inventar um outro futuro.»


LOCAL E HORA DE ENCONTRO:
Teatro Villaret - Avenida Fontes Pereira de Melo, 30 A 1050-12,Lisboa, às 21h15m
 
INSCRIÇÃO:
NA BE/CRE ATÉ SEXTA – FEIRA, DIA 30 de Abril, mediante pagamento de 10 euros (preço de bilhete de grupo).
Organização Equipa BE/CRE

As Mulheres na 1ª República e no Estado Novo

Posted by PicasaCartaz da Autoria
da Equipa da BE CRE

Concurso Nacional de Leitura

Cartazes da autoria da Equipa da BE CRE

Inserido no Plano Nacional de Leitura, o Concurso Nacional de Leitura, aberto a todas as escolas do 3º ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário no continente, Madeira e Açores, tem como objectivo estimular a prática da leitura entre os alunos do Ensino Secundário e do 3º Ciclo do Ensino Básico e pretende avaliar a leitura de obras literárias pelos estudantes desses graus de ensino.
A ESFLG, representada por um grupo de Alunos inscritos, está presente nesta actividade.
Aos Alunos inscritos desejamos bons momentos de leitura e boa sorte para a prova seguinte deste Concurso. Aos Alunos que não se inscreveram, lançamos o desafio - pegar num dos livros propostos e deixar-se envolver pelas suas palavras!

Cascais Assinala Dia Mundial do Livro com Diversas Iniciativas

O arranque das comemorações do Dia Mundial do Livro será assinalado em Cascais a partir de 22 de Abril, com a abertura ao público de mais uma edição do Mercado do Livro no Jardim Visconde da Luz. Esta é uma entre várias iniciativas programadas para comemorar a data, juntando-se à distribuição gratuita de livros, uma palestra sobre a leitura em contexto de Jardim-de-infância e uma sessão de poesia na Biblioteca Municipal de S. Domingos de Rana que celebra a 23 de Abril cinco anos de existência.


Organizado pela Sodilivros, com o apoio da autarquia, o Mercado do Livro de Cascais disponibiliza ao público visitante uma selecção de títulos de todos os géneros literários a preços reduzidos. Decorre até 1 de Maio, às sextas e sábados, das 12h00 às 24h00, e de domingo a quinta-feira, das 12h00 às 20h00.

No Dia Mundial do Livro, 23 de Abril, o Grupo editorial Saída de Emergência promove, com o apoio da CP - Comboios de Portugal, entre as 7h00 e as 9h00, a iniciativa “Livros na Linha – Prenda do Dia Mundial do Livro”, que consiste na distribuição gratuita de livros nas estações da CP de Cascais, S. João e Carcavelos e nas bibliotecas de Cascais, entre as 11h00 e as 13h00 e das 15h00 às 18h00.

Ainda no dia 23, a partir das 16h00, a Biblioteca de S. Domingos de Rana vai assinalar o seu 5.º aniversário com uma palestra dedicada à promoção da leitura em contexto de jardim-de-infância, a qual estará a cargo de Cristina Prazeres, Coordenadora Pedagógica do Centro de Educação Infantil e Desenvolvimento do IDEIA – Instituto para o Desenvolvimento Educativo Integrado na Acção. Partilhar experiências no âmbito de alguns projectos desenvolvidos com crianças que frequentam o jardim-de-infância, em torno da leitura e produção de histórias, é o objectivo desta iniciativa dirigida a educadores, professores e animadores de leitura.

As comemorações do Dia Mundial do Livro em Cascais encerram com o Serão Especial de poemas e outras leituras intitulado “Pessoas com Estórias” e dinamizado por dois grupos de leitores que há cerca de 4 anos promovem as iniciativas “Noites com Poemas” e “Com Olhos de Ler”.

quarta-feira, abril 21

O 25 de Abril na 1ª Pessoa # [4]

Imagem encontrada na Net
"… Memórias soltas da criança que eu era com apenas 6 anos…

O 25 de Abril foi um dia inesquecível, no meu imaginário de criança. Nesse dia não houve aulas fiquei em casa. Os adultos estavam ansiosos e falavam em Revolução, mudança e incerteza … O meu Pai não saía de fronte do rádio aguardando notícias … a música quebrava o silêncio da falta de palavras para explicar os acontecimentos. No meu imaginário estava a iniciar uma guerra, confesso que tive medo.
Estão ainda mais presentes na minha memória, os meses que se seguiram, os jornais, as conversas entre adultos sobre expectativas de mudança e palavra liberdade, tomou um relevo como eu nunca tinha ouvido. No mês de Maio, os meus pais levaram-me a Lisboa às comemorações do 1º de Maio, o ambiente era único de partilha, felicidade e de gestos espontâneos por parte das pessoas. Ficou para sempre na minha memória a música de intervenção que estava presente em todos os locais. Apesar de ser uma criança, tenho noção que vivi momentos únicos durante os anos que sucederam ao 25 de Abril, acompanhando os meus pais e o meu irmão em vários acontecimentos culturais, que mudaram para sempre a minha percepção do mundo, do conceito liberdade e democracia."
Ana Escudeiro,
Docente da ESFLG

Rodrigo Leão # Rosa

Hoje o céu está mais azul,
Eu sinto
Fecho os olhos, mesmo assim

Eu sinto
O meu corpo estremecer
Não consigo adormecer

Ah, nem o tempo vai chegar
P'ra dizer o quanto eu sinto
Você longe de mim

É uma espécie de dor

Hoje o céu está mais azul
Eu sinto
Olho à volta, mesmo assim

Eu sinto
Que este amor vai acabar
E a saudade vai voltar

Ah, nem o tempo vai chegar
P'ra dizer o quanto eu sinto
Você longe de mim

É uma espécie de dor
Já não sei o que esperar
Dessa vida fugidia
Não sei como explicar
 
Mas é mesmo assim o amor

O Tesouro


Este é um livro sobre o 25 de Abril de 1974, dedicado aos mais pequenos, que conta a história de um povo triste que em tempos teve um tesouro, a Liberdade.

Em formato digital, poderá ser lido e visto acedendo ao link (clicar na legenda da imagem).

terça-feira, abril 20

Se Não Estudas Estás Tramado

Imagem e Texto trazidos Daqui

«Só com muito trabalho, muita dedicação e muito esforço será possível enfrentar e ultrapassar as questões tão graves que a educação encara e vai continuar a encarar, uma vez que a educação não é um projecto delimitado no tempo, mas antes um processo intemporal em que todos participamos como protagonistas, seja como pais, como estudantes, como professores ou como educadores. [...] Não posso deixar de expressar o meu sentimento de esperança em relação ao futuro nas áreas da educação, da formação e da produção do conhecimento. Faço-o não porque me sinta compelido a “terminar em beleza”, mas porque vejo à minha volta uma nova geração que é muito melhor do que aquela a que eu pertenço. Jovens com excelente formação, cultos, determinados e profissionais. Dirão os pessimistas que são poucos, uma vez que a maioria é ignorante, não gosta de estudar e só se interessa por futebol, telenovelas e subsídios do Estado. Em minha opinião, quero crer que o País vai dispor de um número crescente de quadros e de mão-de-obra qualificada capaz de evitar as visões catastrofistas que alguns profetas da desgraça nos vêm anunciando. Só espero que o futuro me dê razão.»


Eduardo Marçal Grilo

edição: tinta-da-china
autor: Eduardo Marçal Grilo
tema: Educação/Política
prefácio: António Câmara
1.ª edição: Abril de 2010
n.º de páginas: 232
formato: 14x21 cm
isbn: 9789896710330
pvp: 15.90€

O 25 de Abril na 1ª Pessoa # [3]


"[...]Não tenho recordações do Antigo Regime pois nunca a minha família ou alguém próximo sofreu qualquer tipo de pressão ou inconveniente político. A vida corria-nos normalmente.
Andava no colégio O Pinheirinho e, nesse dia, tudo o que queríamos era que o canhão do Monte de Sta. Luzia disparasse, pois gostávamos de o ver nos exercícios. Coisas de miúdos...
Lembro-me de que o meu pai e o meu avô foram sitiados nos respectivos locais de trabalho e tiveram medo. Isso surpreendeu-me e assustou-me, pois em criança não nos apercebemos das fragilidades dos adultos. Lembro-me de ambos terem receio de perder os empregos. O meu avô chegou a ser saneado, mas foi mais tarde reintegrado. Lembro-me de, após a revolução, se viver com alguma instabilidade e de a minha mãe guardar numa gaveta da cozinha um papel com o número de telefone do COPCOM para "se fosse preciso".
Lembro-me, depois, de coisas triviais, como as canções revolucionárias e os constantes debates políticos na televisão, as ruas muito sujas e as paredes riscadas e cheias de cartazes colados. Foi o que ficou na memória de uma criança."
Dolores Bonaparte,
Encarregada de Educação

segunda-feira, abril 19

Sons de Abril

Não fiques p’ra trás, ó companheiro!
É de aço esta fúria que nos leva!
P’ra não te perderes no nevoeiro,
segue os nossos corações na treva!
Vozes ao alto! Vozes ao alto!
Unidos como os dedos da mão!
Havemos de chegar ao fim da estrada,
ao Sol desta canção!
Aqueles que se percam no caminho,
que importa chegarão ao nosso lado!
Porque nenhum de nós anda sozinho,
e até mortos vão ao nosso lado!
Vozes ao alto! Vozes ao alto!
Unidos como os dedos da mão!
Havemos de chegar ao fim da estrada,
ao Sol desta canção!

letra de José Gomes Ferreira,
música de Fernando Lopes Graça


O 25 de Abril na 1ª Pessoa # [2]

"eras tu a primavera que eu esperava"
Sophia de M.B.Andersen
 
"eu tinha 4 anos quando aconteceu o 25 de Abril. a verdade é que não me lembro de nenhum pormenor. são poucas as memórias que se têm nessa idade. o que me lembro é o depois. possivelmente um ano mais tarde, em que já começamos a ter consciência das memórias. lembro-me da música. essencialmente da música. que o meu pai punha bem alto, o Zeca, o Adriano, o Fausto, o Sérgio, o José Mário Branco. e essa era a diferença . Agora podia ouvir-se alto, abertamente, de forma nua, com um sorriso, o que antes ficava escondido numa parte negra da existência. penso que essa atitude de liberdade, de poder dizer alto o que nos "castra" me determinou a escolha de ter sido professora de Filosofia. A coragem. o que quero que os meus alunos tenham. e uma mão dada entre todos os homens, como nas canções da revolução."
Ana Gonçalves,
Docente da ESFLG

O 25 de Abril na 1ª Pessoa # [1]


"No dia 25 de Abril de 1974 eu e a minha irmã mais nova não fomos às aulas. O pai, que saíra cedo, regressou para avisar a mãe que era melhor ficarmos por casa. Perplexas com esta orientação do pai, aproximámo-nos, ainda em pijama, para compreender. O pai estava contente porque finalmente o governo ia mudar. Golpe de Estado. Tropas na rua. Não compreendemos a animação do pai quando vimos a expressão de medo da mãe. Sabe-se lá o que vem aí, homem, se calhar ainda são piores!
 
Colámo-nos à rádio e à tv, a irmã mais velha, que já frequentava a universidade, chegou com as novidades frescas. E como era a irmã mais velha, fonte de sabedoria, nós confiámos. De repente fazia-se luz no breu em que vivêramos. A guerra colonial era injusta, aqueles a quem nos ensinaram a chamar terroristas eram heróis a lutar pela independência da terra em que nasceram, os presos políticos não eram gente malévola de quem nos devíamos afastar, eram pessoas que lutavam pela liberdade de todos hipotecando a sua própria. As mulheres afinal podiam emancipar-se dos homens e tomar as suas próprias decisões, ao contrário do que sempre me fora ensinado e me deixava tão infeliz.

A sensação de libertação pode experimentar-se mesmo sem ter tido consciência da opressão. Sensação semelhante a respirar na serra de Sintra depois de se ter estado a respirar o fumo tóxico de um tubo de escape durante anos. E, como sabemos, podemos viver assim sem ter consciência de que poderia ser diferente.

48 anos de censura e opressão foram uma eternidade!
 
Ao 25 de Abril devo quase tudo o que de empolgante vivi e vivo.
 
A liberdade de expressão e pensamento são indispensáveis para o nosso crescimento enquanto Pessoas. Eu tinha 15 anos quando aprendi. Lição que gosto de recordar todos os dias da minha vida."

São Morais,
Docente na ESFLG,
Equipa da BE CRE

O 25 de Abril na 1ª Pessoa

Imagem encontrada na Net,
25 de Abril de 1974

Uma das conquistas do 25 de Abril de 1974 foi a liberdade de expressão. Ou seja, tendo sempre em conta que a nossa liberdade termina onde começa a de outro indivíduo, com a (r)evolução, as pessoas ganharam o direito a poder exprimir-se sem medo de represálias.

O Livros de Graça lança hoje um desafio aos que nos visitam e leêm e que já eram nascidos em Abril de 1974. Enviem-nos um texto, prosa ou poesia, onde descrevam o que foi para vós o dia da (r)evolução. Se tiverem fotografias da vossa autoria ou da autoria de familiares que tenham saído à rua, também as podem enviar.

Só queremos que peguem na caneta, no lápis ou nas teclas do computador e nos façam cúmplices desse dia, dessas memórias.

Todos os textos serão publicados!

O 25 de Abril em Cinema

Cartaz de Divulgação,
Equipa da BE CRE

No âmbito da comemoração do 25 de Abril e tendo como ponto de partida a temática da Liberdade que está a ser trabalhada em algumas turmas da Escola, a BE CRE desenvolverá ao longo da semana que hoje se inicia uma série de actividades para as quais tem o prazer de convidar todos os que a elas pretenderem assistir.
O filme "Capitães de Abril" é uma das propostas que aqui deixamos para esta semana.
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segunda-feira, abril 5

25º Aniversário

Eu e a minha Máquina,
Livros Meus

"A Colecção Caminho de Abril resulta de uma iniciativa da Editorial Caminho com vista a assinalar o 25º Aniversário do 25 de Abril. Para a materializar, convidou a editora um conjunto de autores, quase todos habitualmente publicados pela Caminho, a escrever um texto de ficção que tivesse como tema, de forma directa ou indirecta, o 25 de Abril de 1974. Trata-se de uma colecção "fechada", isto é, encerra com os títulos publicados, todos apresentados ao público na mesma data, o mês de Abril de 1999."

domingo, abril 4

Fernando Lopes Graça, Um Compositor da Liberdade

Fernando Lopes-Graça foi um dos mais notáveis compositores e musicólogos contemporâneos. Nasceu a 17 de Dezembro de 1906, em Tomar. Estudou em Coimbra, no Conservatório Nacional.
Fernando Lopes-Graça dedicou toda uma vida à recolha de temas tradicionais. Juntamente com Michel Giacometti, fez uma recolha sobre os ritmos e cantares do povo português que é considerada como uma das mais importantes para os estudos etnográficos.
As Canções Heróicas/Canções Regionais Portuguesas foram compostas musicalmente por Fernando Lopes-Graça e cantadas pelo Coro da Academia de Amadores de Música com Olga Prats ao piano.
São canções politicamente empenhadas que contribuíram para exaltar a liberdade e dar força a todos aqueles que lutavam contra o antigo regime. A primeira versão foi publicada, em 1946, sob o título de «Marchas, Danças e Canções – próprias para grupos vocais ou instrumentos populares». Foi apreendida pela Censura o que impediu que os poemas fossem ouvidos e cantados em espectáculos ou sessões públicas, como até então. Contudo, muitos resistentes continuaram a cantar as canções nos encontros clandestinos ou nos países onde se encontravam exilados. Em 1960, surge uma colecção, mais alargada, com o nome de «Canções Heróicas, Dramáticas, Bucólicas e Outras». A nova edição destinava-se a celebrar o 50º aniversário da implantação da República e foi divulgada com grandes precauções, num meio muito restrito de pessoas. Finalmente, a versão final ficou conhecida por «Canções Heróicas».

Livre

Solo
Não há machado que corte
a raiz ao pensamento

Coro

não há morte para o vento
não há morte.
Solo

Se ao morrer o coração
morresse a luz que lhe é querida,

Coro

sem razão seria a vida,
sem razão.

Solo

Nada apaga a luz que vive
num amor, num pensamento,

Coro

porque é livre como o vento,
porque é livre.
Carlos de Oliveira, As Canções Heróicas